Nanomateriais catalíticos podem inativar vírus da Covid-19

Nanomateriais catalíticos podem inativar vírus da Covid-19

Pesquisadores do Instituto de Físico-Química de Dalian, na China, desenvolveram novos materiais catalíticos, capazes de adsorver e inativar o vírus causador da Covid-19. Com uma alta eficiência de esterilização (96.5 -99.9%), os materiais foram testados pelo Anhui Provincial Center for Disease Control and Prevention (Anhui CDC).[1] Esses materiais são compostos, em sua maioria, por óxidos nanoestruturados e zeólitas, tornando-os promissores para serem aplicados na forma de revestimentos, incorporados em filtros de água e ar-condicionados, bem como em EPIs.

Do ponto de vista físico-químico, os vírus são estruturas instáveis e as moléculas que o compõe, como material genético e proteínas, podem ser desnaturadas por hidrólise ou oxidação. Quando o vírus entra em contato com a superfície revestida pelo catalisador, é adsorvido (processo no qual ele “cola” na superfície do catalisador) e suas proteínas sofrem reações químicas que inviabilizam os processos de invasão das células e reprodução viral. Os artigos que originaram a pesquisa foram publicados em 2003, logo após a epidemia de SARS na China, quando os pesquisadores chineses foram incentivados a buscar soluções contra esse tipo de vírus.[2-4] Como os vírus que provocam a SARS e a Covid-19 possuem semelhanças estruturais, o Insituto de Físico-Química de Dalian retomou as pesquisas a fim de adaptar os materiais desenvolvidos em 2003 para o novo coronavírus.

Revestimentos catalíticos nanoestruturados não são exatamente uma novidade. Nas tintas chamadas autolimpantes, são empregados materiais catalisadores que oxidam as partículas de sujeira, fazendo com que estas não fiquem impregnadas na pintura.[5] Recentemente, nanopartículas de prata com ação antibacteriana tem sido aplicadas como revestimento de maçanetas e outras estruturas hospitalares, a fim de reduzir o índice de contaminação. [6]

Não se trata de uma cura, porém é um grande passo no sentido de tornar mais seguras as estruturas hospitalares para evitar contaminação cruzada, bem como na produção de EPIs mais eficazes para os profissionais da saúde. Ainda, pode-se estudar a viabilidade da aplicação desses revestimentos em estruturas de transporte público, como pegadores e filtros de ar condicionado, tornando esses meios mais seguros para uso pela população.

Referências

[1] http://english.dicp.cas.cn/ns_17179/ue/202003/t20200326_231823.html

[2] Chinese Journal of Catalysis 24(5), 323-327,2003.

[3] Chinese Journal of Chromatography 21(3), 222-225, 2003.

[4] Virologica Sinica 20(1), 70-74, 2005.

[5] https://www.nanowerk.com/spotlight/spotid=19644.php

[6] http://agencia.fapesp.br/nova-tecnica-amplia-em-32-vezes-capacidade-bactericida-de-nanoparticulas/27597/

Publicado por

Fábio Baum

PhD student in Material’s Science (quantum dots and nanoparticle synthesis)

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Essa semana li alguns artigos de pesquisadores chineses que desenvolveram materiais capazes de inativar o vírus causador da Covid-19. Embora esses materiais não possam ser usados como medicamentos, podem ser usados em filtros e EPIs, aumentando a segurança contra o contágio. #ciencias #nanotecnologia #coronavirus #covid19 #nanomateriais

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