É Fake News ou Evidência?

Recebemos uma mensagem no whatsapp muito esquisita sobre um suposto remédio para a COVID-19 ter sido encontrado na Itália. É Fake News ou Evidência?

Vamos desmembrar a mensagem do whatsapp e ir analisando ponto a ponto.

Por Mateus Falco (@mateuslfalco), Mellanie F. Dutra (@mellziland) e Luciana Santana (@lucfsantana1812)

Ainda não existe um remédio específico para o tratamento da COVID-19 e, muito menos um, que tenha ação eficaz contra o coronavírus.

Isso não é verdade, pois estão sendo feitas autópsias e existe um grupo na USP que faz autópsias minimamente invasivas com intuito de colher o material sem o risco da transmissão vírus). Aliás, não é necessário uma autópsia para definir o micro-organismo causador da doença. O simples exame de sangue é capaz de detectar o vírus. 

O que existe de evidências sobre coágulos e COVID-19: há uma lesão na microcirculação, ou seja, nos vasos sanguíneos que vão chegar nas células que compõem os órgãos do nosso corpo, que pode estar associada a COVID-19

Ainda, há casos de que essa lesão pode se associar a trombose também, observado num estudo em que 5 casos de pessoas com manifestações severas de COVID-19 foram analisadas. Existe a formação de microcoágulos, mas não necessariamente sempre estará relacionada com o vírus ou uma bactéria. E está relacionado a “tempestade de citocinas” causada pela resposta inflamatória do corpo do paciente ao vírus, portanto, não é o vírus ou uma bactéria que agem diretamente na formação dos coágulos.

É cedo para afirmar que um país venceu a COVID-19, uma doença que está afetando o mundo todo e que, os países que conseguiram passar pela primeira onda, hoje já estão cientes e se preparando para a segunda onda da pandemia da COVID-19, como é o caso da própria Itália

Ainda que existam evidências apontando para manifestações de trombose e dano na microcirculação, não foi batido o martelo pela comunidade científica de que a COVID-19 é uma doença de coagulação intravascular disseminada. Sabe-se que manifestações graves da COVID-19 estão associadas com a síndrome respiratória aguda grave (SARS) e os danos nos tecidos envolvidos podem ter origem pelo dano vascular ou trombose, mas não somente por isso.

Com relação aos medicamentos, ainda não temos opção terapêutica específica para a COVID-19 e muitos candidatos ainda estão sendo testados quanto a sua capacidade de contrapor essas manifestações da COVID-19. Existem critérios pré-estabelecidos de condutas para administração de medicamentos para a COVID-19. Anti-inflamatórios e anti-trombóticos podem ser administrados de acordo com a condição do paciente e aspirina não é um deles.

Os respiradores são vitais para os pacientes com a COVID-19, principalmente pelo efeito gravíssimo do vírus no pulmão dos doentes, causando lesões que diminuem a capacidade do paciente em respirar e oxigenar o sangue. No site da bbc há uma matéria explicando porque os ventiladores pulmonares são chave na luta contra a COVID-19.

A determinação do fim da pandemia passa pela OMS, o mesmo órgão que avisou o mundo sobre a situação da crise e vem atualizando conforme novas diretrizes são decididas. Não está sob jurisdição de um único país. O não cumprimento das diretrizes propostas para o enfrentamento da pandemia é responsabilidade de cada país, que poderá sofrer com o aumento do número de casos levando a um descontrole da situação. O próprio ministério da saúde italiano desmentiu toda essa informação.

O mais importante é só compartilharmos notícias que são de fontes confiáveis. Amigos, parentes, grupos de whatsapp são alvos de correntes de informações falsas que prejudicam o verdadeiro combate da pandemia, e levando a maior disseminação do vírus e causando muito mais mortes. “Nossos idosos foram mortos” não apenas por comporem um grupo de risco para a pandemia do novo coronavírus, mas principalmente pela superlotação dos sistemas de saúde que sofreram pelas faltas de ações precoces para o enfrentamento da pandemia, como a implementação de isolamento e distanciamento social mais rígido, entre outras ações, como observado na Itália, na Suécia e no Brasil

Essa frase tem muitos problemas. Primeiro, não há evidências sobre o envolvimento do 5G com a COVID-19 e seu espalhamento. Segundo, o coronavírus é um vírus e isso já é muito bem estabelecido, há muitos anos, na comunidade científica.

É extremamente perigoso a automedicação, portanto, mensagens alarmantes que indicam medicamentos capazes de combater o coronavírus e que você deve se autoadministrar devem ser ignoradas. Somente após a consulta e prescrição médica é que deve ser iniciado um tratamento para qualquer enfermidade, especialmente sobre a COVID-19. Nunca utilize a receita que foi passada para outra pessoa. O discurso de remédios milagrosos é bastante visado por muitos durante crises como a pandemia do novo coronavírus, mas como já explicamos, tudo na ciência é envolto do método científico, que norteia desde a pesquisa e desenvolvimento da nova vacina até novos medicamentos para alguma doença, e isso requer muito estudo e tempo. 

Apesar da cena chocante da autópsia, nada disso aconteceu, conforme evidenciado aqui. A autópsia executada dessa maneira confere um risco elevado de contaminação. No Brasil, um grupo na USP faz a autópsia retirando apenas pedaços do corpo utilizando uma seringa, é um método minimamente invasivo, evitando assim a disseminação do vírus pelo método convencional de autópsia. Esse método é muito parecido com a biópsia realizada comumente em muitas clínicas médicas.

Conforme relatado pelo Aos Fatos, ainda não existe um comunicado sobre esse relato no site do ministério da saúde italiano, portanto, é falsa essa informação.

Toda mensagem que começa com a palavra URGENTE deve ser ponderada e analisada. Fake news usam muitos recursos chamativos como “urgente”, textos em negrito ou itálico, demarcando informações em caixa alta, entre outros recursos. O compartilhamento de informações como dados e estatísticas da pandemia é crucial para o bom enfrentamento dela. É só por meio disso que podemos entender o cenário, entender o que precisamos fazer para contorná-lo e quais os passos imediatos a se seguir, aliado às pesquisas de novos medicamentos e tratamentos. E sim, nós sabemos o que os governos do mundo estão E NÃO ESTÃO fazendo

Não há evidências ou notícias apontando qualquer processo que a OMS sofrerá por qualquer um dos motivos apontados no texto acima. A OMS não é responsável pelo excesso do número de mortes em nenhum país e ainda não tem a responsabilidade por divulgar os números de cada país, tanto que em nenhuma coletiva são apresentados os dados. A incineração de corpos se ocorreu foi com intuito de preservar a vida da população, evitando o contaminação dos agentes funerários e de pessoas com o vírus. Em nenhum momento os mortos foram rotulados como poluentes. A escolha entre enterro e cremação fica a critério da família, conforme a notícia da BBC.

Uma vez que o coronavírus é um vírus, o uso de gel antibacteriano não faz sentido. O uso de álcool gel, associado a uma higienização adequada das mãos junto de etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar são medidas fáceis e efetivas para evitar a contaminação com o vírus. Sobre o dióxido de cloro, o FDA, importante instituição reguladora de segurança e eficácia de medicamentos, produtos biológicos entre outros, já liberou uma série de avisos para as pessoas não comprarem ou consumirem produtos a base de dióxido de cloro, uma vez que a agência não tem conhecimento de nenhuma evidência científica que apóie sua segurança ou eficácia e representa riscos significativos para a saúde do paciente. 

Sobre a vacinação, ela é de extrema importância para a saúde pública, especialmente porque vacinação salva vidas e erradica, ou seja, evita a circulação de doenças perigosas, como a poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, coqueluche, entre outros. Ainda, essa divulgação de conspirações ao redor da vacina são importadas por redes anti-vacinas brasileiras. Em 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu a “hesitação em se vacinar” entre as dez maiores ameaças globais à saúde. É preciso cuidar MUITO qualquer mensagem com um tom de que vacinas são maléficas ou conspirações ao redor delas.

Por tanto, É FAKE NEWS!

Outros sites internacionais já checaram essa mensagem circular, que é uma livre tradução de uma fake news, conforme mostrado aqui: 

https://apnews.com/afs:Content:8971390832

https://www.republicworld.com/fact-check/coronavirus/fact-check-have-the-italian-doctors-found-a-cure-for-coronavirus.html

https://www.aosfatos.org/noticias/covid-19-nao-e-causada-por-bacteria-nem-pode-ser-curada-com-aspirina/

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