EXEMPLOS DE ANÁLISE DA POSSIBILIDADE DE SUBNOTIFICAÇÃO DE CASOS DE COVID-19 EM 2020

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Autor: Miguel A. Buelta M. (@Martine44528723)

Esta análise complementa os dois trabalhos anteriores resumidos a seguir:

Nessa análise é mostrado o consenso de que o óbito ocorre em média de 8 a 12 dias após o início dos sintomas, quando é detectado o caso de infecção, a taxa de 1,38% entre o número de óbitos e o número de casos (Imperial College London), bem como o atraso na notificação de casos, o número de casos reais totais no Brasil é maior do que o que vem sendo, devido à pouca testagem. Isso também pode ser mostrado para os Estados do país.

Para saber mais, visite aqui.

Nessa análise mostra-se o grande aumento de óbitos por SRAG em 2020 (1), em relação aos anos anteriores, no qual uma parcela significativa não foi identificada como sendo causada por COVID-19. A partir daí decide-se acrescentar aos óbitos oficialmente notificados por COVID-19  (N_COVID), aqueles óbitos devido ao SRAG (N_SARG), a cada dia, onde não houve confirmação para COVID-19, como abaixo :

N_SARG = N_SARG2020 – N_SARG2019 – N_COVID_SARG2020

Notar que são também retirados do N_SARG os óbitos por SARG de 2019, e que podem ter ocorrido devido a outras viroses.

A partir daí, o número de óbitos por COVID-19, passa as ser adotado como:

 ÓBITOS POR COVID-19 = N_SARG + N_COVID

Nesta análise, tomam-se três exemplos (Brasil, Estado de São Paulo e Estado do Rio Grande do Sul), agrupando-se os conceitos dos dois trabalhos citados, e estimando qual deveria ser o número de casos de COVID-19, segundo as considerações que são feitas nessas duas análises anteriores.

  1. Agradecimento ao grupo Foco no COVID ( https://www.foconocovid.com/), que forneceu as tabelas de SRAG de 2020 e 2019, devidamente interpretadas, facilitando em muito esta análise.

Resultados

Nos gráficos que seguem os números de óbitos acumulados, para qualquer dos casos, correspondem à média móvel de sete dias, onde o dia considerado está no meio desses sete dias.  Temos:

-Curva azul: óbitos totais por COVID-19 notificados pelo Ministério da saúde (N_COVID). 

– Curva laranja: óbitos totais por COVID-19 notificados ( N_COVID), acrescidos dos óbitos por SRAG que possivelmente também eram devidos à COVID1-19 ( N_SARG) , isto é:

ÓBITOS POR COVID-19 = N_SARG + N_COVID. Esta curva está baseada nas informações sobre SRAG fornecidas pelo Ministério da Saúde, até 30/06/2020.

-Curva cinza: casos de COVID-19 notificados pelo Ministério da saúde. Nos gráficos, numericamente apresentam-se o número de casos/10.

Brasil

Período 19/03/2020 a 27/06/2020

Tomando o ÓBITOS POR COVID-19 = N SARG + N COVID como válido, e as considerações já citadas, de que é o consenso que o óbito ocorre em média de 8 a 12 dias após o início dos sintomas, quando é detectado o caso de infecção, a taxa de 1,38% entre o número de óbitos e o número de casos (Imperial College London), bem como o atraso na notificação de casos, e utilizando os números obtidos, o número de casos reais totais no Brasil seria da ordem de 6,5 vezes o número de casos totais notificados ( Ex: em 07/07/2020 teríamos 10,8 milhões de casos, contra os 1,67 milhões notificados).

Estado de São Paulo

Período 19/03/2020 a 27/06/2020

Segundo as mesmas considerações do caso anterior, o número de casos reais totais no Estado de São Paulo seria da ordem de 9,2 vezes o número de casos totais notificados (Ex: em 07/07/2020 teríamos 3,1 milhões de casos, contra os 333 milhares notificados).

Estado do Rio Grande do Sul

Período 03/04/2020 a 27/06/2020

Com as mesmas considerações, o número de casos reais totais no Estado do Rio Grande do Sul seria da ordem de 8,2 vezes o número de casos totais notificados (Ex: em 07/07/2020 teríamos 277 mil casos, contra os 34 milhares notificados).

Conclusão

Fica claro que, segundo as considerações aqui apresentadas, existe subnotificação de casos por COVID-19. Para isso, foi considerada uma relação aceita entre casos e óbitos, bem como o possível maior número de óbitos por COVID-19, não notificados, dado o grande aumento de óbitos por SRAG em relação aos anos anteriores. Os valores reais poderão ser até maiores do que aqueles aqui calculados, pelo grande aumento de óbitos em casa, sem assistência e sem notificação.

Existem estados em que essa subnotificação é maior ou menor, e facilmente calculada utilizando o procedimento aqui apresentado.

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