Recirculação de boatos nas redes sociais, os 17 pontos sobre COVID-19

Autores: Letícia de Macedo Silva (@lets.cherry); Mateus Falco (@mateuslfalco)

Revisão: Luciana Santana (lucfsantana1812), Mellanie F. Dutra (@mellziland

 Fonte da Imagem: Freepik

A Rede Análise Covid-19 recebeu em 16/07/2020, via whatsapp, esta corrente (abaixo) que se baseia na opinião do chefe da clínica de doenças infecciosas da Universidade de Maryland, EUA, Faheem Younus. Ele verifica e publica em sua rede social boatos sobre a pandemia. A data das informações utilizadas são de um tweet que vão de 16/03 a 16/05 em que foram comparadas e verificadas as informações sobre a COVID-19, sendo a primeira mensagem publicada 5 dias após decretada pandemia mundial pela OMS (em 11/03/2020). A vigilância do Dr. Faheem Younus, acabou sendo afetado pela perversidade das Fake News, mesmo sendo um forte combatente desse mecanismo.

O intuito desta checagem de fatos é alertar sobre o conteúdo da mensagem, reafirmar o combate contínuo e a necessidade de constante fiscalização quanto a circulação de notícias falsas e virulentas. O prejuízo de mensagens desse porte são imensuráveis, pois afetam a vida e rotina de quem tem pouco tempo para obter informações com profundidade e respeito. Na luta contra esse tipo de informação danosa, a Rede Análise Covid-19 continua vigilante e atualizando nossos leitores sobre os fatos mais recentes e verídicos, suportados por pesquisadores, autoridades e entidades oficiais, do Brasil e do mundo.

Abaixo apresentamos o conteúdo da mensagem, bem como a informação de veracidade ou não da informação. 

Essa é uma realidade para doenças novas que podem se tornar pandêmicas. O surgimento do Zika vírus e sua evolução em 2015 no Brasil é um exemplo recente sobre como a população precisou se adaptar.. O SARS-Cov-2 fará parte do rol de doenças humanas, assim como tantas outros patógenos, e não será a última. E, como seres com excelente capacidade de adaptação, vamos superar também esta doença.

Essa informação é correta, a temperatura da água não é relevante, beber água quente não elimina o vírus. Contudo, beber líquido é um importante fator no tratamento de doenças infectocontagiosas como gripe e dengue. O mecanismo de ação da água no corpo humano contribui com a eliminação de substâncias tóxicas. No caso da COVID-19, por ser uma doença viral infectocontagiosa, a ingestão de líquidos ajuda a aliviar os sintomas e evitar o agravamento do quadro clínico, mas não serve como prevenção e nem para tratamento da doença. Em caso de sintomas da doença, procure um(a) médico(a) ou unidade básica de saúde (UBS) mais próxima.

Essa é uma informação sobre medidas de prevenção que é verdadeira, porém no contexto da “corrente” de whatsapp ela é utilizada para que o leitor confie na mensagem e conteúdo, dando embasamento para argumentos falsos, que acabam sendo entendidos como verdadeiros. É necessário ter cuidado ao ler textos que misturam verdades e mitos, podendo causar confusão no leitor.

Aqui é importante um alerta! A higiene (pessoal ou do domicílio) é um importante fator para prevenção não somente de COVID-19 como outros patógenos causadores de doenças infectocontagiosas, diarréia, hepatite e gastroenterites. A permanência do novo coronavírus no ambiente pode ser de 4h a 72h (3 dias), dependendo da superfície. Portanto, é necessário a lavagem das mãos com sabão, limpar compras e outras embalagens.

Um alerta para esse tópico é o de que superfícies são capazes de reter o coronavírus de 4h até 72h (3 dias), e recentemente a OMS afirmou a presença da transmissão aérea do coronavírus. Portanto, viva a vida com maior higiene e prevenção, lave as mãos e limpe objetos com sabão ou álcool 70% ou ainda hipoclorito de sódio.

Como explicado nos dois últimos tópicos, o novo coronavírus pode ser transmitido através de superfícies, a permanência do vírus em plástico é de até 72h (3 dias) e em papelão de até 24h (1 dia). Sendo assim, é necessário realizar a limpeza dos objetos. A COVID-19 não é uma infecção alimentar mas, como explicado, pode ser transmitido pela superfície de objetos, o vírus permanece em gotículas de saliva ou no ar e podem se aderir às superfícies.

O sintoma da perda de olfato (anosmia) ou a perda do paladar (disgeusia) não são sintomas específicos da COVID-19, podendo ser apresentados por outras infecções virais, alergias, reação a medicamentos ou até mesmo sem presença de doença como em congestão nasal. Apenas estes sintomas, em conjunto ou separados, não definem a COVID-19. Se apresentar algum desses sintomas, procure um(a) médico(a) ou uma unidade básica de saúde (UBS) mais próxima.

Errado. Devido a dinamicidade com relação às informações sobre o SARS-CoV-2 e a COVID-19 toda precaução é válida, é certo que não é preciso entrar em pânico. Mas, com relação a nova recomendação emitida pela OMS sobre a transmissão aérea do vírus e sua manutenção em superfície, a melhor atitude consiste ainda em se prevenir, lavando peças de roupas e higienizando sapatos quando exposto a qualquer aglomeração.

A OMS reviu as recomendações sobre medidas de prevenção contra a transmissão aérea do SARS-CoV-2, tanto por gotículas de saliva como por aerossol. A diferença entre os tipos de transmissão se dá pelo tamanho da partícula, as gotículas são maiores que as partículas de aerossol, e desta forma essas partículas menores tendem a permanecer mais tempo no ar, aumentando as chances de infecção pelo vírus. O uso de máscara ainda é a melhor prevenção contra a contaminação pelo SARS-CoV-2.

Essa é uma informação capciosa, o ar está mais limpo devido a diminuição da poluição ambiental, menos poluentes estão sendo lançados na atmosfera como efeito da baixa circulação de veículos. Contudo, as medidas de prevenção contra a contaminação do SARS-CoV-2 ainda permanecem: uso de máscara, mantendo distância entre as pessoas, etc.

É suficiente a utilização de sabão neutro ou a higienização das mãos com álcool 70%. O SARS-CoV-2 é um vírus, portanto os sabonetes antibacterianos não são necessários para este vírus, atuando assim como um sabão normal.

Há um erro nesta declaração. É preciso alertar antes que não existem estudos que comprovem a eliminação de SARS-CoV-2 por meio de micro-ondas. Diante disso, analisando estudos com outros micro-organismos o micro-ondas é capaz de eliminar vírus e bactérias, mas para isso o alimento não pode ser seco, deve conter água, pois ela é quem ferve, sendo responsável pela descontaminação. O tempo de exposição deve ser de 20 segundos em potência 900-1250W. Ressaltando que materiais e objetos secos não são descontaminados por esse método.

Revendo acima, no ponto 8: Devido a dinamicidade com relação às informações sobre o SARS-CoV-2 e a COVID-19, toda precaução é válida. É certo que não é preciso entrar em pânico. Mas, com relação a nova recomendação emitida pela OMS sobre a transmissão aérea do vírus e sua manutenção em superfície, a melhor atitude consiste ainda em se prevenir, lavando peças de roupas e higienizando sapatos quando exposto a aglomeração. Portanto, aconselha-se retirar os sapatos ao entrar em casa conforme procedimento indicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Verdade. A boa alimentação, hidratação, exercícios físicos e diminuição do estresse são forma de manter o equilíbrio corporal e manutenção da atividade do sistema imunológico. Até o momento não existe um suplemento ou medicamento capaz de curar ou prevenir a infecção pelo vírus SARS-CoV-2.

Não é verdade que o uso prolongado de máscara cause a diminuição na saturação de oxigênio sanguíneo e nem aumento de CO2. É necessário o uso de máscara sempre que sair de casa, pois assim evita-se a exposição ao vírus, que pode ser transmitido por vias aéreas, através de gotículas ou aerossóis, ou pelo contato das mãos com superfícies contaminadas e acidentalmente passar as mãos nas mucosas de olhos, nariz e boca.

A utilização de luvas deve ser específica para profissionais de saúde em postos/hospitais porque estão em constante contato com pacientes infectados. A luva pode levar a uma falsa sensação de segurança e o descuido quanto ao contato das mãos com olhos, boca e nariz. A lavagem das mãos com água e sabão ou a higienização com álcool 70% é uma medida eficaz. O vírus SARS-CoV-2 é capaz de penetrar apenas as mucosas, portanto não existe relato de infecção por cortes ou machucados. E mais preocupante é a forma de retirar e descartar a luva, que pode estar contaminada, sendo então maior a probabilidade de contaminação por descuido.

Esse tópico será analisado em etapas, pois contém informações verídicas usadas em um contexto inapropriado. Em primeiro, se você é paciente de risco ou apresenta comorbidades (diabete, hipertensão arterial, doença pulmonar, doença cardíaca e outras) não siga esse conselho pois estará se expondo ao risco de contaminação e maior agravamento da doença preexistente. Como é uma doença nova e ainda não foi descoberta a cura, todos os cuidados são necessários para evitar uma possível contaminação. Para mais informações sobre imunidade e COVID-19 segue texto da Rede Análise Covid (Autor: Nathan Strogulski). 

Continuando com a análise, a exposição a patógenos é significativa para o desenvolvimento da resposta imunológica, sendo então um fator relacionado ao cotidiano do ser humano, mas o tipo de resposta é diferente para cada situação. As respostas imunes podem ser natural (inata) ou adquirida (adaptativas). Portanto, a exposição a patógenos pode induzir uma resposta adaptativa que é mais lenta, porém, mais duradoura Ainda, evitar o consumo de açúcar e gordura é benéfico por prevenir o surgimento de doenças como diabetes ou doenças cardiovasculares entre outras.

 A redução do contato pode provocar estresse, ansiedade e depressão, portanto é importante a manutenção de nossa saúde mental. Para tanto, recomenda-se a prática de atividades físicas dentro de casa, comunicar-se com familiares e amigos, manter uma rotina ativa e caso necessário, busque ajuda. Mantenha-se em casa para reduzir a chance de contaminação pelo SARS-Cov-2. Sair de casa sem relevante necessidade, como ir a farmácia ou buscar ajuda médica não é aconselhável. O momento é de distanciamento social.

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