Evitar flúor, suplementar com magnésio e água alcalina, só isso basta?

Autores: Larissa Brussa Reis (@laribrussa), Mateus Falco (@mateuslfalco)                             

Revisores: Thomaz Arruda(@tarrudaw), Marcelo Bragatte (@marcelobragatte)

Fonte: freepik

Esclarecimento

2020 foi um ano em que muitas pessoas tentaram buscar respostas para todo o turbilhão de mudanças que aconteceram num curto espaço de tempo. O que vivemos neste ano foi um marco que refletirá durante toda a nova década que se iniciou. A pandemia do novo coronavírus trouxe muitas incertezas, e numa ânsia de tentar exercer algum controle sobre elas, as pessoas passaram a consumir todo e qualquer tipo de informação a respeito. Tudo que possa representar um tipo de “proteção” contra a doença passou a receber maior atenção e até mesmo materiais de outros tempos voltaram a circular entre as pessoas. Este é o caso do programa “Repórter Saúde” do canal do repórter Fernando Beteti na plataforma Youtube. Trata-se de uma entrevista com o Dr. Arnoldo Velloso da Costa, 92 anos, neurologista e ortomolecular (legenda retirada da entrevista), que atualmente em seu site se apresenta como médico nutrólogo. Essa entrevista já teve mais de 1,3 milhões de visualizações, apresentando um impacto considerável. Mas, antes de analisar o conteúdo da entrevista, gostaríamos de alertar que a Rede Análise COVID-19 não tem intenção de desqualificar o profissional médico e nem mesmo o jornalista e fundador da empresa NutriGenes e do blog NutriGenesBlog. Em relação a esses dois empreendimentos, tratam-se de um site que realiza vendas online de suplementos nutricionais e um canal de informações sobre saúde e suplementação, respectivamente. A imparcialidade da análise de dados aqui registrada, feita por colaboradores da Rede, é um imperativo para o progresso da ciência e tem como única e exclusiva finalidade a evolução do conhecimento, a divulgação correta dos dados conforme os estudos avançam, a necessidade de investimento em mais estudos e a discussão das dúvidas dos leitores. O texto não é fechado e nem ignoramos o contraponto científico. Sobre a medicina ortomolecular, anotamos ser uma prática médica regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), não reconhecida como especialidade médica. Portanto, à luz da ciência desvendaremos o que se tem de mais recente sobre alguns dos temas polêmicos abordados nesse vídeo, como água alcalina, flúor e magnésio. Acompanhe!

Breve Histórico

            A importância de uma alimentação balanceada na promoção da saúde sempre teve espaço na história humana. É célebre a frase de Hipócrates (Séc. V a.C.), conhecido como pai da Medicina, que diz:  “Que o teu alimento seja o teu remédio e que o teu remédio, seja o teu alimento“. Esse caminho foi percorrido até Linus Pauling, que após receber a prescrição para suplementar sua dieta com vitamina C, iniciou suas pesquisas com intuito de descobrir os reais benefícios da suplementação vitamínica. Pauling cunhou o termo ortomolecular em um artigo publicado em 1968 no contexto da fisiologia cerebral. A expressão orto é o sufixo grego para “correto”, então o significado dessa expressão pode ser compreendido como ‘a medida certa das moléculas’, empregada em diferentes cenários.

            As vitaminas são essenciais ao bom funcionamento do corpo humano, muitas não conseguimos produzir, então temos a necessidade de buscar nos alimentos. Mas, também existem outros micronutrientes importantes para o correto funcionamento da complexa maquinaria humana, que são os sais minerais e a água, o principal solvente de muitas reações químicas no organismo humano. A falta dessas substâncias pode levar a consequências fisiológicas importantes. Porém, qual quantia necessária de cada? Será que todos os sais minerais são benéficos ou dependem da concentração administrada? Existe um limite para a ingestão de água? Todas as águas são iguais?

Água Alcalina

            Respondendo a última pergunta do parágrafo anterior, não! De acordo com uma publicação da Agência Nacional de Mineração (ANM) brasileira, a água mineral é classificada com relação à sua composição físico-química, relacionada às diferentes fontes de extração: água fluoretada; fonte hipo/hipertermal; radioativa de fonte fria a hipo/hipertermal; água potável de mesa e oligomineral; fonte alcalino-bicarbonatada, alcalino-terrosa, carbogasosa e outras.

            Durante a entrevista do Dr. Arnoldo, é mencionado a importância da ingestão de água alcalinizada para evitar doenças. É interessante relatar que durante os intervalos foram veiculadas propagandas da Acqua Enterprise. Trata-se de uma empresa de produção de água alcalina ionizada, fundada em 2010 e que se apresenta como líder do segmento. Essa informação não tem interesse em desqualificar a empresa ou mesmo o valor nutricional da água alcalina, apenas relatamos o fato ocorrido. Por coincidência ou não, a propaganda veiculada ao vídeo supostamente informativo traz o questionamento sobre o principal objetivo para com as informações que estão sendo divulgadas. Uma das perguntas feitas pelo repórter é sobre o efeito da água alcalina no estômago e a resposta é que a água alcalina não afeta esse órgão, porque “a água é absorvida normalmente e alcaliniza o sangue” (retomaremos esses assuntos).

Com o intuito de esclarecer e informar, pontuamos fatos que ajudarão os leitores a entender sobre o pH e funcionamento do estômago.

            O pH é uma medida que indica a acidez da solução. Os conceitos de basicidade e neutralidade das soluções surgem de forma indireta nesse mecanismo de análise. O intervalo de valor está compreendido entre 0 e 14 (Fig.1), sendo que quanto menor (próximo de zero) mais ácido e quanto maior (próximo de 14) mais básico (alcalino). O pH 7 é o valor intermediário, ou seja, definido como neutro.

Fig. 1 – Escala de pH, ácido, neutro e alcalino. (fonte: freepik)

Com relação aos valores fisiológicos normais de pH em alguns órgãos ou sistemas do corpo humano, é encontrado bastante variação. Na cavidade oral, o pH varia na faixa entre 6.7 a 7.0, já no ambiente estomacal, o valor varia na faixa de 0.8 a 3.5. Conforme se afasta do estômago, o valor de pH tende a aumentar para 6.0 a 7.0 no intestino delgado e grosso, podendo chegar a 8.0 a 9.0 (Figura 2). Dessa forma, a alteração de pH no sistema digestivo está representada pela acidez estomacal, e na porção intestinal o pH tende a voltar à neutralidade, alcançado um ambiente alcalino, sendo assim não justificaria a ingestão de água alcalinizada. Uma informação relevante sobre a absorção de água pelo sistema digestivo é a expressiva quantidade absorvida na porção intestinal. Isso se dá pela maior área absortiva conferida pelas chamadas microvilosidades, especializações da parede celular das células que aumentam a superfície de absorção, diferentemente das paredes internas do estômago, cujas células têm poucas microvilosidades, portanto pouca absorção[1].

 O pH do sangue tem um intervalo de variação muito pequeno, ficando entre 7.35 a 7.40. Ao manter essa faixa de pH, ele funciona como um sistema de tamponamento ajustando regularmente o valor do pH, tanto do sangue quanto das estruturas envolvidas. Possuir uma ferramenta tão simples e tão poderosa quanto a capacidade de tamponamento do sangue evita que o corpo humano entre em acidose (estruturas com faixas menores de pH, como o estômago) ou alcalose (estruturas com faixas maiores de pH)[1]. Com o conteúdo apresentado, retomamos a afirmação sobre a absorção de água pelo estômago, dita pelo doutor Arnoldo: “a água é absorvida normalmente e alcaliniza o sangue”. Diante disso resta concluirmos que existe uma incorreção conceitual sobre absorção na afirmação do entrevistado. Ainda, afirmar que a ingestão de água alcalina alteraria o pH sanguíneo para a faixa de alcalino (pH maior que 7) sugere um contrassenso científico, pois o próprio corpo humano apresenta o sistema para reequilibrar as variações exageradas do pH no sangue.

Fig.2 – Escala de pH (esquerda) e valores de pH nos diferentes órgãos do sistema digestivo (direita), estômago, intestino delgado e grosso (fonte: scientificanimations).

Contudo, um efeito colateral que pode ser observado em consumo exagerado de bebida alcalina é o aumento do pH estomacal como efeito rebote. Explicando, o pH estomacal é ácido (pH na faixa de 2) e o corpo trabalha para o manter nessas condições para nossa sobrevivência. Porém, com excesso de bebida ou alimentos alcalinos (com pH maior que 7) a tendência é alcalinizar o pH estomacal levando ao desequilíbrio. Para voltar ao equilíbrio, o corpo começa a produzir mais da substância ácida presente no estômago, o ácido clorídrico. Assim, podemos concluir que a ingestão tanto de água com pH mais ácido (4 ou 5) ou com pH muito básico (8 ou 9) não devem ser consumidos com frequência. Se possível, o ideal é que a manutenção da hidratação corporal seja feita com água que apresente pH próximo do sanguíneo, na faixa de 7 (mais precisamente 7.4). Naturalmente, esse pH não leva a nenhuma alteração na homeostasia do organismo. É importante lembrar que o desequilíbrio indesejável pode levar ao risco de disfunções e doenças.

O ideal é a ingestão de água potável com pH neutro (faixa entre 6.5 a 7.5) para evitar um desequilíbrio no tamponamento sanguíneo e se possível com uma maior concentração de magnésio. Assim, obtêm-se uma hidratação adequada evitando a necessidade de suplementação com magnésio (mais no tópico Magnésio).

Flúor na água

            A fluoretação da água é um tema controverso que levou a formação de grupos contrários a sua utilização e também a defesa intransigente mediante petição (PL 6359/13) para revogar a adição deste composto no abastecimento de água, com parecer favorável do relator Deputado Federal Luiz Mandetta. Na entrevista, o Dr. Velloso é categórico em relação a fluoretação, dizendo que a adição de flúor deve ser evitada devido aos riscos de intoxicação em crianças (relatando 2 casos), e comentou sobre o acúmulo de flúor no organismo, afirmando que o uso é desnecessário para a prevenção de cárie infantil. Apoia seus argumentos em um estudo de Harvard. Então, esse tópico será divido em argumentações contrárias e favoráveis à fluoretação da água.

            Argumentos contrários: A análise da Harvard Public Health (2016) ressalta que o flúor em doses elevadas traz risco à saúde como a fluorose (manchas claras ou escuras nos dentes), pode ser acumulado nos ossos e estimular o crescimento de células, alterando e enfraquecendo a estrutura do tecido ósseo. Estudos em animais demonstraram toxicidade em neurônios. Um estudo epidemiológico humano identificou a perda de memória. Ainda, o professor adjunto de saúde ambiental Philippie Grandjean comenta que reconhece os benefícios na proteção contra cáries, mas questiona sobre a necessidade de ingestão do flúor devido ao risco de contaminação sanguínea e disseminação para o cérebro. Ele destaca 3 aspectos: a quantificação da dose eficaz, a necessidade de estudo sobre efeitos adversos e danos no desenvolvimento cerebral e a identificação de grupos de risco (bebês em aleitamento, pacientes em diálise).

Argumentos favoráveis: Em 2018, o relatório do Public Health England (PHE), que é o equivalente ao Ministério da Saúde brasileiro, divulgou dados sobre o monitoramento da saúde das pessoas em relação à fluoretação (adição de flúor) no abastecimento de água. Foi feito uma comparação com o relatório de 2014 e como resultados, foi demonstrada uma alta relevância clínica na diminuição das cáries, uma diferença em casos de fluorose entre as cidades que apresentam fluoretação e não fluoretação, e avaliaram também o risco de fraturas no quadril, esses dados são relacionados a idade e sexo. A presença de “cálculo” renal (nefrolitíase) também foi analisada e não apresentou correlação significativa com a fluoretação. A Síndrome de Down (trissomia do cromossomo 23) apresentou evidência fraca na associação com a fluoretação. Para o câncer de bexiga, a comparação dos relatórios não mostrou alteração significativa, pois outros fatores podem estar relacionados com o aparecimento da doença. A análise para osteosarcoma em pacientes de 0-49 anos não mostrou significância estatística, “apesar de existir sugestão controversa nesse sentido” (retirado do relatório).

A conclusão diante dos dados expostos anteriormente é a necessidade de mais estudos específicos para a verificação de possíveis efeitos colaterais, risco no desenvolvimento de doenças, e concentração mínima, considerando outros produtos que possuem flúor na formulação (pasta dental, enxaguante bucal, etc) e são amplamente usados. Contudo, não fica claro a necessidade urgente da retirada da fluoretação da água de abastecimento, sendo que a água fluoretada está disponível na natureza, inclusive em água mineral envasada e outros produtos. Uma recomendação é a estratificação das concentrações de fluoretação por região, pois existem localidades com maior ou menor concentração de flúor na água, isso aliado ao consumo de produtos adicionados do elemento, podem causar acréscimo na ingestão dessa substância.

Com relação à entrevista, não podemos apenas evitar o uso da fluoretação como é defendido no vídeo. Os fatos mencionados pelo Dr. Velloso não podem justificar um movimento contrário, apesar do caso da morte por intoxicação de duas crianças (fato lamentável), o benefício da diminuição de cáries é relevante, realçado tanto pela análise da Harvard como pelos relatórios do PHE e da OMS. Ainda, o flúor apesar de se ligar nos ossos, vai sendo perdido com a remodelação óssea, portanto, não acumula nesse tecido. Na fratura de quadril outros fatores de risco devem ser avaliados, como a idade, sexo, tabagismo, etilismo e uso de reposição hormonal, por exemplo. Caso seja confirmado a associação da fluoretação e fratura, ainda não seria o fator primordial para o desenvolvimento do desgaste ósseo.

Sobre a fluoretação da água, muitos ainda debatem sobre a revogação dessa medida de prevenção da saúde bucal, afirmando que existe o despejo de “lixo” químico na água. Porém, vamos acrescentar mais um degrau a essa afirmação. Os mesmo que debatem essa medida devem se atentar para a quantidade de lixo químico despejado anualmente no meio ambiente, causando a verdadeira poluição e envenenamento de mangues e leitos de água potável. Se o alarde for válido para a adição ou despejo tóxico, unimos força para combater toda a poluição do meio ambiente.

Vale lembrar que o Projeto de Lei 6359/13 encontra-se em tramitação, e fica o alerta para o acompanhamento desse tipo de proposta e seus desfechos.

Magnésio

O magnésio é o interesse maior do Dr. Arnoldo Velloso, que escreveu um livro sobre o assunto, intitulado “Magnésio: o que ele pode fazer por você”. Salientamos que a análise da entrevista não alcança o livro, e portanto verificamos apenas o conteúdo do programa Repórter Saúde. Sobre o mineral, foi relatado pelo Dr. Velloso a importância da suplementação desse para alcançar benefícios vitais. Muitas informações são verídicas, porém a maneira como são utilizadas deixam dúvidas, não fica claro se o propósito é a divulgação de produtos ou informação do telespectador. Ao visitar o site NutriGenes, é possível encontrar uma variedade de suplementos de sais de magnésio que foram indicados pelo especialista. Queremos salientar que diferentemente do programa não promovemos o consumo de nenhum item e nem indicamos a compra do livro, nosso papel é verificar a validade científica dos fatos apresentados.

            O cátion magnésio (Mg2+) tem função crucial no organismo, participando de atividades  como a síntese de material genético (RNA e DNA), o metabolismo energético e atuando como cofator enzimático em pelo menos 300 reações biológicas, tais como contração muscular, síntese proteica, função neural, regulação hormonal, excitabilidade cardíaca e regulação da pressão arterial.

            O Mg2+ é um dos quatro minerais mais comuns no corpo humano, ficando atrás apenas do cálcio (Ca2+), sódio (Na+) e potássio (K+), respectivamente em termos de percentual de distribuição corporal. Em uma pessoa com 70 kg, a massa de magnésio é em torno de 25 g, sendo que a maior parte está armazenada nos ossos (53%), seguido dos músculos (27%) e outros tecidos (19%), restando 1% circulante no sangue. O valor da concentração de referência em exames de sangue é de 75-95 mmol/L. Um fato muito relevante é que o Mg2+ tem um tempo de meia-vida de 42 dias no organismo. O tempo de meia-vida significa a quantidade de dias para que se tenha diminuição significativa na concentração do mineral no organismo. Sendo assim, esse mineral não precisa ser usado como suplemento diariamente por todas as pessoas, pois as concentrações nos alimentos trarão uma boa resposta em caso de qualquer pequena deficiência.

            A deficiência crônica de íons Mg2+ pode não apresentar sinais reconhecíveis, mas alguns sintomas típicos podem ocorrer como neuromusculares (fraqueza, tremor e disfagia), alterações cardíacas (arritmias) e no sistema nervoso central (ocorrência de depressão e desmaios). Alertamos que os sinais retratados aqui são inespecíficos para a deficiência de magnésio, ou seja, podem ocorrer os mesmos sinais em outras doenças, portanto, caso apresente algum destes sintomas indicamos que procure um médico. Ainda, é importante ressaltar que muitos medicamentos podem interferir com a absorção do Mg2+, podendo aumentar ou diminuir a concentração deste mineral no corpo, como antibióticos, antiácidos, corticosteroides, anti-hipertensivos, anticoncepcionais e outros[2].

            A necessidade diária de Mg2+ em adultos ou idosos é de aproximadamente 400 mg para homens e de 300 mg para mulheres. Em mulheres grávidas, a suplementação pode ser feita a partir da 25ª semana de gestação (6º mês), não indicamos. Alguns alimentos apresentam uma boa concentração de Mg2+ por porção ou 100 g, como a hemp seed (sementes de Cannabis sativa) que chega a 700 mg, a semente de abóbora que tem 535 mg, a linhaça que tem 392 mg e castanha do Brasil (castanha-do-Pará) que tem 376 mg. Outros alimentos também são fonte de magnésio, agora na escala de (½ xícara), como espinafre cozido com 78 mg,  arroz branco com 10 mg e o iogurte (de baixa teor de gordura com 227g) que contém 42 mg[3]. Além disso, o magnésio está presente na clorofila, ou seja, pode ser obtido através do consumo de verduras em geral. É importante alertar que a suplementação e o excesso de magnésio (hipermagnesemia) podem levar a efeitos colaterais gastrointestinais (diarreia), diminuição da pressão arterial grave (hipotensão), problemas respiratórios e parada cardíaca. Pacientes com problema renal, por exemplo, devem evitar a suplementação.

Conclusão

            Retomando a pergunta-título: “Evitar flúor, suplementar com magnésio e água alcalina, só isso basta?”, concluímos que a fluoretação é um importante fator na diminuição de cáries, a suplementação de magnésio é desnecessária, pois os alimentos apresentados possuem uma boa concentração do mineral e a obtenção de magnésio através deles geralmente é o suficiente, e o excesso na suplementação pode ocasionar efeitos colaterais. Referente a água alcalina, o entrevistado não apresenta evidência científica que valida o argumento da alcalinização sanguínea. E pelo conjunto exposto, indicamos este artigo sobre a hierarquia de evidências científicas produzido pela Rede Análise COVID-19. A figura introdutória deste texto, que traz uma pirâmide, explica o quesito força de evidência. É possível ver que a opinião de um especialista é o mais baixo nível de evidência. Infelizmente, na entrevista, fica evidente o intuito comercial, com as propagandas da água alcalinizada entre os blocos do programa e as referências aos suplementos de magnésio, ambos comercializados por empresas pertencentes ao repórter, além do alarde contra a fluoretação.

Queremos reafirmar que em caso de qualquer sinal ou sintoma de qualquer doença, procure um médico e evite a automedicação. Se o interesse for avaliar a necessidade de suplementação de magnésio, converse com seu médico e peça um exame de sangue, ele é o profissional mais indicado para o início do tratamento.

Referências

[1] GUYTON, A.C. e Hall J.E. – Tratado de Fisiologia Médica. Editora Elsevier. 13ª ed., 2017.

[2] MAHAN, L. K.; ESCOTT-STUMP, S. ; RAYMOND, J.L. –  Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Editora Elsevier. 13ª ed., 2013.

[3] Schwalfenberg, Gerry K., and Stephen J. Genuis. “The Importance Of Magnesium In Clinical Healthcare”. Scientifica, vol 2017, 2017, pp. 1-14. Hindawi Limited, doi:10.1155/2017/4179326. Accessed 22 Nov 2020.

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