Vacinas candidatas para a COVID-19 – Atualizado em 08/01/2021

Autora: Mellanie F. Dutra (@mellziland) 

Revisores: Larissa Brussa Reis (@laribrussa), Angel Miríade (@myriad_angel), Marcelo Bragatte (@marcelobragatte)

Link “Desenvolvimento de vacinas” pela ANVISA aqui

Moderna

Tecnologia: Vacina de RNA mensageiro

Estudos pré-clínicos: Permitiram a identificação de anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2 em primatas não-humanos, protegendo as vias aéreas superiores e inferiores da infecção viral [1].

Estudos clínicos de fase 1/2: Resultados demonstraram bom perfil de segurança entre os participantes analisados, sendo capaz de induzir respostas imunológicas contra o SARS-CoV-2 na forma de regime de duas doses (após a segunda dose, maior resposta) [2].

Estudos clínicos de fase 3: Etapa com 30.000 pessoas vacinadas para o imunizante ou placebo. Dados da análise interina mostram uma eficácia de 94.5% analisando 95 eventos (casos de infecção pelo SARS-CoV-2 nos participantes). Desses 95 eventos, 90 receberam placebo e 5 receberam a vacina. É necessário contabilizar o restante de eventos necessários para completar a análise (em torno de 150 eventos). Todos os indivíduos que  apresentaram quadros graves de infecção (11) foram no grupo placebo, mostrando que a vacina também pode proteger contra o agravamento da doença [3]. Os resultados apresentam bons indicativos de segurança, nenhum evento adverso, incluindo participantes de idade superior a 65 anos e pessoas com comorbidades. No dia 30 de Novembro, a Moderna noticiou o resultado de 196 eventos, corroborando a eficácia de 94,5% [4]. Na mesma data, foi submetido pedido de aprovação emergencial ao FDA. Dos 30 casos graves de COVID-19 observados nos 196 eventos analisados, todos pertenciam ao grupo placebo, destacando esse papel promissor na proteção, também, de agravamento da COVID-19. Em 19 de Dezembro de 2020, a vacina da Moderna recebeu aprovação para uso emergencial pelo FDA. Além dos EUA, o Reino Unido também aprovou para uso emergencial esta vacina, bem como a Agência Europeia. Em reportagem, o CEO da Moderna afirma que a vacina tem capacidade de “durar alguns anos”. No entanto, somente com a 4ª fase clínica de investigação é que poderemos saber quanto tempo.

Eficácia: 94,5%

Desafios e próximas etapas: Distribuição das vacinas: necessita de baixas temperaturas para manter a estabilidade da vacina, que pode ser conservada por  30 dias em refrigeração (abaixo de 5ºC), e 6 meses caso seja congelada (-20ºC) [4]. A Moderna também entrará com um pedido de Aprovação para Uso Emergencial nas próximas semanas. A vacina requer aplicação de duas doses.

E o Brasil? Há acordos em andamento, tendo em vista a participação do Brasil no Covax (Fundo de Acesso Global à Vacina para COVID-19) [5]. Desafios na distribuição dessa vacina em território nacional, bem como na aquisição de doses suficientes também entrarão em pauta.

Pfizer + BioNTech

Tecnologia: vacina de RNA mensageiro

Estudos pré-clínicos: Estudos com primatas não-humanos mostraram-se promissores, com fortes efeitos antivirais contra a infecção de SARS-CoV-2. A vacina foi capaz de prevenir a infecção pulmonar  e nas vias aéreas superiores e inferiores dentro de 3 dias após a infecção. Também foi capaz de induzir anticorpos neutralizantes e células T CD4+ e CD8+ específicas para elementos do SARS-CoV-2 [1].

Estudos clínicos de fase 1/2: São 2 propostas de vacinas analisadas (BNT162b2 e BNT162b1), a primeira associada a uma menor incidência e gravidade de reações adversas, especialmente em adultos mais velhos. Ambas apresentaram boas quantidades de anticorpos neutralizantes, bem como a presença de células T CD4+ e T CD8+. A BNT162b2 foi a escolhida para dar seguimento à fase 3 [2].

Estudos clínicos de fase 3: Inicialmente foram 30.000 voluntários nos Estados Unidos e em outros países (incluindo Argentina, Brasil e Alemanha). Em um estudo preliminar, foi reportado efeitos colaterais leves a médios após a primeira dose nos participantes [3]. O estudo hoje expandiu-se para 43.000 participantes, incluindo crianças a partir dos 12 anos. A Pfizer+BioNTech foi a primeira empresa a anunciar dados da análise interina de sua vacina candidata, apontando para uma eficácia de 90%, analisando 94 eventos. Para confirmar sua taxa de eficácia, a Pfizer continuará o estudo até que haja 164 eventos contabilizados entre os participantes [4]. Em 18 de Novembro, a Pfizer anunciou que sua candidata à vacina para o SARS-CoV-2 apresentou 95% (162 de 170) de eficácia, em uma análise de 170 eventos entre os participantes do estudo. Além de conferir eficácia, a vacina também foi capaz de prevenir o agravamento da COVID-19, em que dos 10 eventos graves de COVID-19, 9 foram no grupo placebo [7]. Em idosos (acima de 65 anos, compreendendo 41% dos participantes), a eficácia observada foi de 94%. Essa análise contou com participantes de idade entre 56 e 85 anos, com uma diversidade étnica de 42% [8]. O pedido de aprovação deve ser enviado ao FDA nos próximos dias, podendo se tornar a nossa primeira vacina aprovada para a COVID-19. A bula para profissionais de saúde foi liberada recentemente, apontando grupos indicados e contraindicados para a vacina. A Pfizer submeteu o pedido ao FDA que será avaliado no dia 10 de Dezembro. A autoridade disponibilizou o documento com os dados completos da fase 3 da Pfizer+BioNTech, apontando dados robustos de imunização e eficácia em diferentes grupos, incluindo participantes com comorbidades. No dia 8 de Dezembro, o Reino Unido iniciou a vacinação de sua população, “The vaccine day”, um movimento histórico no país. No dia 9 de Dezembro, a desenvolvedora fez um alerta para pessoas que tenham reações alérgicas significativas, após 2 pessoas que apresentam esse perfil terem desenvolvido reações alérgicas. Os dois indivíduos passam bem. Neste painel, de 24 de Dezembro de 2020, podemos observar os países do mundo que já iniciaram campanhas ed vacinação, muitos deles com a vacina da Pfizer. Sobre as variantes, a vacina mostra eficácia e abrangência em relação a elas, aponta estudo preliminar.

Eficácia: 95%

Desafios e próximas etapas: Distribuição: a vacina precisa estar em temperaturas muito baixas (-70ºC) para seu transporte e armazenamento e a empresa estará testando formas de distribuição e melhorias em 4 estados dos EUA ainda neste mês [5]. A vacina requer de duas doses.

E o Brasil? Em um primeiro momento, a produção vai se concentrar em três fábricas nos Estados Unidos e duas na Alemanha e posteriormente, poderá haver transferência de tecnologia para produção em outros países, como o Brasil, em que  já ocorreram contatos iniciais com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) [6]. Em relação ao preço da vacina, é possível que haja três faixas diferentes de preços, que irão depender do desenvolvimento de cada país. Desafios na distribuição dessa vacina em território nacional, bem como na aquisição de doses suficientes também devem entrar  em pauta. Há muitas divergências quanto a acordos com a Pfizer aqui no país. A Pfizer ofereceu uma proposta, ainda em Agosto de 2020, para a compra de vacinas, mas não houve movimentação concreta por parte do Governo para oficialização. A farmacêutica, em meio a muitos noticiamentos, indica que a negociação é centralizada com o governo, e não com estados em paralelo.

CanSinoBio

Tecnologia: Vacina baseada em adenovírus (Ad5)

Estudos pré-clínicos: Uma dose única, com um adenovírus humano tipo 5 modificado que codifica a proteína spike do SARS-CoV-2 (Ad5-nCoV) protegeu camundongos contra a infecção. Além disso, o efeito protetor também foi observado em furões (ferrets) [1]. Vale ressaltar que essa plataforma foi anteriormente aplicada com sucesso para o desenvolvimento de uma vacina contra o Ebola.

Estudos clínicos de fase 1/2: Fase 1 mostrou que o vetor Ad5 foi bem tolerado, seguro e induziu uma boa resposta do sistema imunológico 28 dias após a vacinação. As respostas humorais (como a de anticorpos) contra SARS-CoV-2 atingiram o pico no dia 28 pós-vacinação em adultos saudáveis, e células T específicas foram observadas a partir do dia 14 pós-vacinação [2]. Fase 2 mostrou boas taxas de soroconversão entre os participantes (96%), confirmando dados anteriores e apontando uma resposta imunológica forte contra o SARS-CoV-2, em paralelo a um bom perfil de segurança [3].

Estudos clínicos de fase 3: Em 25 de junho, militares chineses aprovaram emergencialmente a vacina por um ano, apenas para uso entre os próprios militares, como uma “droga especialmente necessária”. A CanSino não disse se a vacinação seria obrigatória ou opcional para os soldados. A partir de agosto, a CanSino começou a realizar testes de Fase 3 em vários países, incluindo Arábia Saudita, Paquistão e Rússia [4].

Desafios e próximas etapas: Para economizar material de embalagem, ao invés de exportar diretamente a vacina embalada, a CanSino vai exportar o material-base usado para desenvolver a vacina em latas porém, não há maiores informações sobre o impacto disso na distribuição da vacina para os países[5]. Provavelmente, essa vacina precisará de algum tipo de refrigeração para seu transporte e armazenamento, da mesma forma que outras vacinas de adenovírus, mas ainda nenhum anúncio formal foi realizado [6].

E o Brasil? Em julho, houve tentativas de inclusão do Brasil na fase 3 da Cansino [7], mas, até o momento, não encontramos tratativas de acordos comerciais entre a desenvolvedora e o Brasil.

Instituto de Pesquisa Gamaleya 

Tecnologia: Vacina baseada em adenovírus (Ad5 e Ad26).

Estudos pré-clínicos: Até o momento, não houve publicação/divulgação desses dados da vacina Gam-Covid-Vac (Sputnik-V).

Estudos clínicos de fase 1/2: Segundo a publicação, a Gam-Covid-Vac tem um bom perfil de segurança e induziu fortes respostas imunes humorais e celulares nos participantes. Foram comparadas as variações da vacina liofilizada e congelada, ambas apresentando perfis similares [1]. Em Agosto, a vacina foi aprovada em território Russo, apesar de haver a necessidade de reunir mais evidências de segurança, imunogenicidade e eficácia [2].

Estudos clínicos de fase 3: Os testes de fase 2/3 que inicialmente estavam planejados para ocorrer com apenas 2.000 voluntários, foram expandidos para 40.000. Além da Rússia, os voluntários foram recrutados na Bielo-Rússia, Emirados Árabes Unidos, Venezuela e, na sequência, contou com a participação da Índia. Recentemente, autoridades russas anunciaram que a Gam-Covid-Vac demonstrou 92% de eficácia com base em 20 eventos avaliados entre os participantes do estudo [3]. Recentemente, a Bolívia autorizou o uso emergencial das vacinas Sputnik-V e CoronaVac. A Argentina também anunciou a vacinação com este imunizante.

Eficácia: 92%

Desafios e próximas etapas: Se a versão liofilizada da vacina for tão eficaz e segura quanto sua versão congelada, poderá conferir benefícios na sua distribuição, uma vez que não precisa de complexidade tecnológica para mantê-la estável. Essa vacina requer a aplicação de duas doses.

E o Brasil? Há negociações de acordos para fornecer a vacina a países como Argentina, México, Índia e Brasil. Sendo, no Brasil, o estado do Paraná que está envolvido em negociações com o governo russo [9]. Há movimentação para a solicitação de uso emergencial dessa vacina aqui no Brasil, ainda em trâmite.

Johnson&Johnson

Tecnologia: Vacina baseada em adenovírus (Ad26).

Estudos pré-clínicos: A vacina induziu respostas robustas de anticorpos neutralizantes e fornece boa proteção em primatas não-humanos. Os títulos de anticorpos neutralizantes induzidos pela vacina se correlacionaram com a eficácia protetora, sugerindo proteção imunológica, que deve ser confirmado nas fases sequentes [1].

Estudos clínicos de fase 1/2: Eventos adversos leves, indicando um bom perfil de segurança. Soroconversão de 92% na maioria dos grupos (adultos e idosos saudáveis), com bons títulos de anticorpos (analisados pela média geométrica desses valores). A soroconversão de anticorpos específicos para a proteína Spike do SARS-CoV-2 nesses grupos foi em torno de 99%. Após 14 dias da imunização, se observou a resposta de células T CD4 (linfócitos auxiliares) específicas para esta proteína em 80% e 83% de participantes adultos e idosos, respectivamente. [2].

Estudos clínicos de fase 3: Fase 3 com 60.000 participantes. Ao contrário de outros estudos de Fase 3, a Johnson & Johnson administrou apenas uma dose ao invés de duas. Em 12 de outubro, a Johnson & Johnson anunciou uma pausa nos seus ensaios clínicos para investigar um evento adverso em um participante. O ensaio clínico foi retomado onze dias depois, apontando que o evento não teria relação com os testes da vacina [3]. Os 60.000 participantes estão distribuídos nos seguintes países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, África do Sul e Estados Unidos [4]. Em 16 de novembro, a Johnson & Johnson anunciou que estava lançando um segundo ensaio de Fase 3, com o objetivo de observar os efeitos de duas doses de sua vacina, em vez de apenas uma [5].

Desafios e próximas etapas: A Johnson & Johnson vem estabelecendo parcerias, como com a Aspen Pharmacare e Biological E para distribuição em diferentes localidades, como na África do Sul e Índia, respectivamente. Há acordos comerciais de fornecimento para a Europa e Reino Unido [6]. De forma similar às vacinas anteriores, é possível que a sua distribuição também precise de alguma refrigeração, no entanto, ainda não foi feita uma manifestação formal. A empresa tem como meta a produção de pelo menos um bilhão de doses em 2021.

E o Brasil? Ainda não há notícias de estabelecimento de acordos comerciais com o Brasil para a compra ou transferência de tecnologia para esta vacina.

AstraZeneca/Univ. de Oxford

Tecnologia: Vacina baseada em adenovírus (ChAdOx1)

Estudos pré-clínicos: A ChAdOx1 apresentou perfil imunogênico em camundongos e mostrou uma resposta humoral robusta e mediada por células. Dados similares também foram observados em primatas não-humanos. Ainda, foi demonstrada uma neutralização viral no trato respiratório inferior, mas não foram percebidas diferenças no trato respiratório superior, em relação ao grupo controle [1].

Estudos clínicos de fase 1/2: ChAdOx1 apresentou perfis de segurança e imunogenicidade adequados, com a indução de respostas imunes humorais e celulares [2].

Estudos clínicos de fase 3: A vacina iniciou os testes de Fase 2/3 na Inglaterra e na Índia, bem como no Brasil [3], África do Sul e nos Estados Unidos. Em 6 de setembro, a AstraZeneca interrompeu os testes globais da vacina para investigar um participante que desenvolveu uma forma de inflamação chamada mielite transversa [4]. Em uma semana, o evento foi investigado e a Astrazeneca emitiu nota dizendo que esse acontecimento era improvável de estar relacionado à vacina, e os testes retomaram em todos os países, exceto nos Estados Unidos [5]. Enquanto isso, um jornal no Brasil noticiou, em 21 de outubro, que um participante morreu de COVID-19, no entanto, ele havia recebido o placebo, sem envolvimento do ocorrido com o imunizante [6]. Atualmente, o ensaio está em andamento. No dia 23 de Novembro, a desenvolvedora noticiou resultados de eficácia da fase 3: Analisando mais de 20.000 voluntários, “foram registrados 30 casos de covid-19 em pessoas que receberam as duas doses da vacina e 101 casos da doença em pessoas que receberam um placebo” segundo a BBC. Ou seja, “quando os voluntários receberam duas doses “altas”, a proteção foi de 62%, mas aumentou para 90% quando as pessoas receberam uma dose baixa seguida por uma alta. Não está claro ainda por que há essa diferença”. A possível diferença de eficácia nos regimes de doses pode ser em decorrência de respostas ao vetor viral, algo que a J&J tenta driblar com apenas 1 dose, e a Sputnik-V usando 2 vetores adenovirais diferentes. O pedido de aprovação emergencial deve ocorrer nos próximos dias. No entanto, no dia 25 de Novembro, o The New York Times [10] noticiou que a administração do regime que contemplava a meia dose foi um erro (em que a AstraZeneca revelou ter sido por parte da empresa contratada), e queesse regime foi administrad apenas em adultos com idades iguais ou menores a 55 anos. Ainda, na reportagem, o executivo da AstraZeneca anunciou que planeja um teste global para comparar os dois regimes de dosagem. O número de participantes que vai inscrever ainda não foi determinado, mas será na casa dos milhares. Em 18 de Novembro, a AstraZeneca/Univ. Oxford publicou na The Lancet seus dados de fase 2/3, apresentando dados em três grupos: 18-55 anos, 56-69 anos e acima de 70 anos. Uma boa imunogenicidade foi observada entre os três grupos (bons títulos de anticorpos IgG, dos quais a presença de anticorpos neutralizantes), bem como de células T). Eventos adversos leves foram observados naque naqueles que receberam a ChAdOx1 nCoV-19, e de natureza semelhante às relatadas anteriormente (dor no local da injeção, sensação de febre, dores musculares, dor de cabeça). A ChAdOx1 nCoV-19 parece ser melhor tolerada em adultos mais velhos do que em adultos mais jovens (mas no geral ela é bem tolerada por todo mundo analisado) e tem imunogenicidade semelhante em todos os grupos de idade após uma dose de reforço [10]. Com a aprovação no Reino Unido, foi disponibilizada a bula para esta vacina. Detalhes da bula podem ser conferidos nesta nossa análise.

Eficácia: duas doses ‘altas’: 62% e uma dose ‘baixa’ + uma dose ‘alta’: 90%.

Segundo dados da bula: 73% após a 1ª dose.

Desafios e próximas etapas: Segundo a desenvolvedora, no início de 2021, a farmacêutica terá prontos 3 bilhões de doses de vacinas e acredita que terá autorização para comercializá-las [7]. Ainda não houve manifestações formais em relação à necessidade de  de que haja algum tipo de refrigeração, mas essa necessidade é prevista [8]. Essa vacina requer a aplicação de duas doses.

E o Brasil? No Brasil, acordos com a AstraZeneca para a compra e transferência de tecnologia para produção local  estão em andamento. Se espera que sejam produzidas 30,4 milhões de doses da vacina pela Bio-Manguinhos, laboratório da Fiocruz ligada ao Ministério da Saúde [9]. Hoje, dia 08/01/2020, a Fiocruz entrou com o pedido de aprovação para uso emergencial da vacina no Brasil.

Novavax

Tecnologia: Nanopartícula recombinante com proteína Spike do SARS-CoV-2 + adjuvante (substância usada para aumentar a resposta imunológica). A subunidade da proteína Spike é feita em célula de inseto com baculovírus (vírus que infecta insetos), com tecnologia de modificação genética.

Estudos pré-clínicos: Dados pré-clínicos demonstraram proteção de macacos contra infecções de SARS-CoV-2 nas vias aéreas superiores e inferiores [1].

Estudos clínicos de fase 1/2: Não se observaram efeitos adversos significativos após a imunização. Após a segunda dose da vacina, a maioria também não apresentou nenhum efeito adverso sério. Os participantes que receberam as duas doses da vacina com adjuvante desenvolveram anticorpos neutralizantes, de 4 a 6 vezes mais do que aqueles que tiveram COVID-19 e se recuperaram. Além disso, os resultados demonstram indução de resposta por células T [2].

Estudos clínicos de fase 3: A Novavax lançou um ensaio de Fase 3 inscrevendo até 15.000 voluntários no Reino Unido, que pode gerar resultados no início de 2021. Um teste maior de Fase 3 está previsto para ser lançado nos Estados Unidos no final de novembro [3].  

Desafios e próximas etapas: Em setembro, a Novavax chegou a um acordo com o Serum Institute of India, um grande fabricante de vacinas, com capacidade informada para produzir até 2 bilhões de doses por ano. Se os testes forem bem-sucedidos, a Novavax espera entregar 100 milhões de doses para uso nos Estados Unidos até o primeiro trimestre de 2021. Em 4 de novembro, eles anunciaram outro acordo para entregar 40 milhões de doses para a Austrália [3]. A Novavax está desenvolvendo uma vacina de duas doses, o que deve ser considerado na hora da distribuição e logística [4]. Não há manifestações formais por parte da desenvolvedora, até o presente momento, se a vacina precisará de refrigeração ou algum outro meio logístico de distribuição. No entanto, é possível que o imunizante aceite temperaturas compatíveis com as de uma geladeira doméstica [5]

E o Brasil? Há possibilidade de acordos, tendo em vista a participação do Brasil no Covax (Fundo de Acesso Global à Vacina para COVID-19)

Medicago

Tecnologia: Genes de vírus nas folhas de tabaco (células vegetais criam conchas de proteínas que imitam vírus)

Estudos pré-clínicos: Não encontramos artigos publicados ou notícias sobre estudos anteriores. Há uma sessão na publicação da fase 1 [1] indicando evidências anteriores que embasaram o estudo 

Estudos clínicos de fase 1/2: A vacina da Medicago tem a proteína produzida em células de plantas em combinação com adjuvantes para aumentar a resposta do sistema imunológico às proteínas virais. Estas que produziram níveis promissores de anticorpos em voluntários, com um perfil de segurança adequado [1].

Estudos clínicos de fase 3: Um ensaio de Fase 2/3 da vacina começou em 12 de novembro.  

Desafios e próximas etapas: Em 23 de outubro, a empresa anunciou que havia chegado a um acordo com o governo do Canadá para fornecer 76 milhões de doses. No entanto, sabemos muito pouco sobre essa vacina, seu andamento na fase 3 e como poderia se dar sua produção em larga escala e distribuição

E o Brasil? Até o presente momento, não há notícias de acordos comerciais brasileiros com a Medicago.

Sinopharm

Tecnologia: vírus (SARS-CoV-2) inativado

Estudos pré-clínicos: Os autores citam na publicação de fase 1/2 [1] dois estudos pré-clínicos demonstrando os perfis de imunogenicidade em modelos animais usando vacinas inativadas para SARS-CoV-2 em primatas não-humanos [2] [3].

Estudos clínicos de fase 1/2: a vacina induziu a produção de anticorpos em participantes, alguns dos quais experimentaram febres e outros efeitos colaterais mais leves, indicando um perfil adequado de segurança e imunogenicidade. O esquema estudado foi de duas doses [1].

Estudos clínicos de fase 3: A fase 3 iniciou-se nos Emirados Árabes Unidos em julho e no Marrocos e Peru no mês seguinte. A Sinopharm também começou a testar uma segunda vacina de vírus inativado, desenvolvida pelo Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. Em relação à qual, após os primeiros testes clínicos na China, eles lançaram os testes de Fase 3 nos Emirados Árabes Unidos e na Argentina. O governo chinês aprovou a vacinação das duas vacinas experimentais da Sinopharm em centenas de milhares de pessoas. Em 14 de setembro, os Estados Unidos da América aprovou emergencialmente o uso da vacina da Sinopharm para uso em profissionais de saúde [4]. No entanto, essas aprovações são precoces, uma vez que a fase 3 está em andamento. Em 9 de Dezembro, foi publicado pela imprensa os dados de eficácia, soroconversão entre outros da vacina desenvolvida em parceria com o Instituto de Pequim (lembrando que a Sinopharm desenvolve 2 vacinas de vírus inativado: uma em parceria com o Inst. de Pequim, e outra em parceria com o Inst. de Wuhan). Eficácia de 86%, com 99% de soroconversão de anticorpos neutralizantes e 100% de eficácia na prevenção de casos moderados e graves da doença. fase 3 conta com 31.000 pessoas de 125 nacionalidades apenas nos Emirados Árabes Unidos. Além dessa vacina, a Sinopharm outra vacina de vírus inativado, em parceria com Instituto de Produtor Biológicos de Wuhan. Essas duas vacinas já estão sendo usadas na China desde agosto em médicos e militares, além de diplomatas no exterior, segundo a reportagem. No dia 30 de Dezembro, a Sinopharm divulgou o dado de 79.34% de eficácia, diferente do dado divulgado pelos Emirados Árabes, que atestava 86%. Recentemente, o Egito aprovou para uso emergencial a vacina da Sinopharm.

Eficácia: 86% (Dado divulgado pelos Emirados Árabes), 79.34% (Divulgação oficial da Sinopharm)

Desafios e próximas etapas: Em outubro, o presidente da Sinopharm disse que a empresa estava preparando a fabricação de suas duas vacinas, com planos de produzir um bilhão de doses por ano [4]. Até o presente momento, Sinopharm recebeu pedidos de vacinas COVID-19 para mais de 500 milhões de doses, mas sua capacidade de produção atual não pode atender a todos os pedidos. A escassez de materiais embalados como garrafas de vidro e tampões de borracha também estão limitando a velocidade com que a Sinopharm pode exportar suas vacinas [5]. Vacinas inativadas, no geral, devem ser mantidas entre 2ºC a 8ºC para manterem-se estáveis [6].

E o Brasil? Ainda não há notícias de acordos comerciais brasileiros com a Sinopharm, até o presente momento. Há possibilidade de testes de fase 3 no Brasil [7], no entanto, não encontramos maiores informações sobre a sequência dessas tratativas.

SinoVac

Tecnologia: vírus (SARS-CoV-2) inativado (CoronaVac)

Estudos pré-clínicos: Foi uma das primeiras candidatas à vacina a demonstrar proteção em primatas não-humanos contra o SARS-CoV-2. Os animais que receberam a dose mais alta, tiveram a melhor resposta. 7 dias após receber a vacina, o SARS-CoV-2 já não era mais detectado na faringe ou nos pulmões [1].

Estudos clínicos de fase 1/2: A CoronaVac foi bem tolerada, demonstrando um perfil de segurança adequado. A maioria das reações adversas enquadrou-se como leve. Além disso, a CoronaVac mostrou boa imunogenicidade, induzindo 92,4% de soroconversão no esquema do Dia 0-14 (2 doses) e 97,4% no esquema do Dia 0-28. A segurança e imunogenicidade favoráveis ​​de CoronaVac foram demonstradas em ambos os esquemas [2]. Em 16 de setembro, eles registraram um ensaio de Fase 1/2 da vacina para crianças [3]. O artigo de fase 1/2 foi publicado em 17 de Novembro corroborando os dados do preprint e reunindo as informações obtidas anteriormente [10].

Estudos clínicos de fase 3: No mês de julho a Sinovac então lançou um teste de Fase 3 no Brasil,seguido por outros testes realizados na Indonésia e na Turquia. O governo chinês aprovou a CoronaVac para uso emergencial na China para pessoas em empregos de risco relativamente alto, incluindo trabalhadores da área da saúde, inspetores de portos e funcionários do serviço público [3]. Em 9 de novembro, a ANVISA anunciou a suspensão temporária do estudo clínico da Sinovac para investigar um evento adverso observado [4]. Dois dias após o anúncio, o ensaio foi retomado por constatação de não haver relação do evento com o imunizante [5]. A Sinovac anunciou que concluiu, no dia 23 de Novembro, a coleta de eventos para a análise da eficácia de fase 3. Eram necessários 61 eventos, conseguindo ao todo 74 para esta análise, cujos resultados preliminares devem sair nos próximos dias [10]. Alguns dados em relação a eficácia em desfechos secundários foram apresentados no dia 07/01/2020 para a comunidade brasileira, em coletiva de imprensa entre o Inst. Butanta e o Gov. de São Paulo. Dados indicam uma redução de risco de 78% de casos graves e ambulatoriais em pessoas imunizadas em relação àqueles não imunizados (placebo); redução de 100% do risco de casos moderados, graves e hospitalizações em pessoas imunizadas em relação àqueles não imunizados (placebo). dados da eficácia geral (desfecho primário), bem como perfil dos participantes não foram divulgados. Dos 218 eventos observados, cerca de 160 estavam no grupo placebo, enquanto que menos de 60 estavam no grupo imunizado, segundo Dimas Covas, na coletiva.

Eficácia: conhecida para desfechos secundários: casos leves e ambulatoriais: 78%; casos moderados, graves e hospitalizações: 100%.

Desafios e próximas etapas: Sinovac se prepara para fabricar a vacina para distribuição global, chegando a um acordo para fornecer à Indonésia pelo menos 40 milhões de doses até março de 2021. Em setembro, o CEO da Sinovac disse que a empresa planeja a distribuição mundial do vacina no início de 2021 – incluindo os Estados Unidos [3]. Vacinas inativadas, em geral, devem ser mantidas entre 2ºC a 8ºC para manterem-se estáveis [6].

E o Brasil? O instituto Butantan solicitou a importação de 6 milhões de doses da CoronaVac, no entanto, a distribuição das doses, ainda sem registro, depende de autorização da própria Anvisa  [7]. Além disso, também foi autorizada a importação de matéria-prima para a produção da vacina [8]. Há acordos de compra e transferência com a CoronaVac, além da AstraZeneca, por parte do Brasil, totalizando 256,4 milhões de doses das 2 vacinas [9]. A solicitação de aprovação para uso emergencial foi realizada no dia 08/01/2020 junto à Anvisa. Segundo o Instituto Butantan, é possível fornecer 1 milhão de doses ao dia.

Bharat Biotech (Covaxin)

Tecnologia: vírus (SARS-CoV-2) inativado (Covaxin)

Estudos pré-clínicos: Estudos em primatas não-humanos [1] e hamsters [2] demonstraram bons perfis de segurança e imunogenicidade, protegendo os animais contra a infecção do SARS-CoV-2. 

Estudos clínicos de fase 1/2: Dados de fase 1 mostraram um perfil bom de segurança, sem eventos adversos significativos [3]. Os ensaios de fase 2 da Covaxin tem previsão de publicação dos dados para Novembro [4], a despeito de a empresa ter reduzido pela metade o tamanho inicial do número de participantes (de 750 para 380) [5], sem dar maiores detalhamentos. Apesar da redução poder conferir uma aceleração para o seguimento das investigações, é um movimento arriscado e pode refletir na robustez dos resultados de fase 3.

Estudos clínicos de fase 3: Em 23 de Outubro, a companhia anunciou o início dos estudos de fase 3 em 26.000 participantes, até o momento, ocorrendo possivelmente na Índia [6].

Desafios e próximas etapas: Vacinas inativadas, no geral, devem ser mantidas entre 2ºC a 8ºC para manterem-se estáveis [7]. Ainda não há notícias sobre acordos comerciais, e logística de distribuição relacionadas com a Covaxin.

E o Brasil? Até o presente momento não há notícias de acordos comerciais brasileiros com a Covaxin.

Instituto de Pesquisa Infantil Murdoch 

Tecnologia: Vacina Bacillus Calmette-Guerin (BCG – 1900)

Estudos anteriores: Um estudo de 25 anos com mais de 150.000 crianças em 33 países  relatou um risco 40% menor de infecções agudas do trato respiratório inferior em crianças que receberam a vacina BCG [1]. Em idosos, a vacina BCG reduziu a incidência de infecções agudas do trato respiratório superior [2]. A OMS publicou um documento recomendando mais testes com a vacina BCG para explorar esses efeitos inespecíficos, mas benéficos, em infecções [3]

Estudos clínicos de fase 3: Ensaio denominado BRACE ocorrendo na Austrália, para investigar os efeitos protetivos da vacina BCG na COVID-19. 

Desafios e próximas etapas: O Brasil tem uma extensa campanha de vacinação com a BCG. Confirmando-se os benefícios dessa vacinação, será possível mobilizar a produção e distribuição dessa vacina, realizando novas campanhas de vacinação ou orientando a vacinação para grupos estratégicos. No entanto, os dados à disposição ainda nos colocam numa situação precoce para dar seguimento a qualquer estratégia.

E o Brasil? A FIOCRUZ iniciou testes para investigar os efeitos benéficos da vacina BCG na COVID-19 para verificar se a mesma é capaz de reduzir o impacto da COVID-19 em profissionais de saúde – enfermeiros, médicos, técnicos, fisioterapeutas, recepcionistas e porteiros, maiores de 18 anos [4].

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